O Cantinho do André

Recordação do maior amigo que tive, que foi também o maior Benfiquista que conheci. Apesar da Tua morte tão prematura, que levou um jovem, mas sobretudo um Grande Homem, a Tua vida permanecerá para sempre como uma dádiva para quem teve a sorte de Te conhecer. Agora onde os justos descansam, e livre da doença que Te tolheu o corpo mas não o espírito, eu sei que ainda vives connosco. Obrigado, e desculpa, André.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sofrimento desnecessário

Football Club Twente 2-2 SLB Um Benfica de trabalho assegurou esta noite um empate que, por um lado, foi lisonjeiro, pelo sufoco que sofremos na segunda parte, mas por outro lado sabe a pouco, porque a vitória esteve perfeitamente ao alcance.
O princípio de jogo foi terrível para nós. A entrada agressiva em campo foi rebatida da pior maneira com um golo madrugador dos holandeses, que aproveitaram algum espaço em frente à nossa defesa para aplicar um remate forte que abriu o marcador. Acusando o toque, consentimos a posse de bola ao adversário, sentíamos grandes dificuldades para recuperar bolas e sair a jogar e não se via forma de sacudir a pressão.
Somente à passagem dos vinte minutos o Benfica deu finalmente acordo de si. Temia-se o pior até que Cardozo resolveu empregar a mesma receita do golo holandês. Aimar recuperou a bola em zona avançada e deu curto para o paraguaio se aventurar num remate de belo efeito. A partir daí, a equipa desinibiu-se e comandou os ritmos, culminando com a jogada magistral que nos adiantou por fim no placard.
Uma jogada para ver e rever: Cardozo endossa a bola a Witsel, que friamente abdica de rematar à boca da baliza para dar o golo a Nolito. Mais um golo do espanhol que tem feito mossa nas defesas contrárias.
A segunda parte foi de assédio holandês à baliza de Artur. O Benfica foi perdendo as rédeas do jogo à medida que o futebol de Aimar foi desaparecendo num jogo intenso mas nem sempre bem disputado. Se mais golos não sofremos neste período, muito o devemos a Artur, que ia adiando o golo do empate para desespero dos holandeses. Nem as substituições de JJ remendavam os rombos no barco, que sulcava águas cada vez mais revoltosas.
Tanto o cântaro foi à fonte que lá ficou a asa. Já perto do final Ruiz devolveu o empate ao Twente, num lance claramente irregular, mas que acabou por fazer justiça num jogo que podíamos ter controlado muito melhor.
Temos ainda muito a evoluir para termos uma equipa à altura das exigências do Clube. É desconcertante ver que gastámos 12 milhões em Bruno César e Enzo mas ter os humores da equipa completamente dependentes do estado físico de Pablo Aimar. É desconcertante ver um meio campo onde só Javi Garcia se dispõe a defender e fechar espaços. É ainda desconcertante ver como estamos dependentes de Cardozo, de muito longe o nosso melhor avançado, mas que parece à deriva num esquema que não se adapta às suas características.
Muitos problemas que urge resolver, porque este Benfica é ainda demasiado permeável e os 5 golos que sofremos nos últimos 3 jogos devem dar o grito de alerta.
Abraço

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Cardozo só precisa que o compreendam

Claramente marcado por alguns adeptos de memória curta, que lhe não perdoam a série de jogos sem marcar e o estilo algo desengonçado e mesmo lento em campo, Cardozo tem sido o mal amado do plantel nesta fase de início de época. É-o até mais do que alguns jogadores que há bem pouco tempo disseram não se sentir bem no Benfica, e que mais se expuseram à desconfiança dos adeptos, com os quais o povo do Benfica está já, aparentemente, em vias de reconciliação.
Se há jogador injustiçado no Benfica, esse jogador é Óscar Cardozo. Por muito que desejássemos um jogador mais completo, o certo é que os Weldons, os Bergessios, os Kardecs, os Suazos e outros com os quais coabitou na Luz não deixaram melhor impressão do que o paraguaio.
Por muito lento e tosco que seja, o Tacuara executa como poucos a única tarefa que pode assumir. Não lhe podem pedir que venha à linha, que faça sprints, que parta os rins aos defesas contrários, assim como não podem pedir ao Artur que marque golos.
Cardozo nasceu com limitações evidentes que tornam previsível a manobra ofensiva da equipa? Sem dúvida. Mas quem negará que é um finalizador nato, difícil de substituir neste momento?
Não acredito que Cardozo saia neste Verão, porque o mercado não está para loucuras e a verba avançada pela imprensa como preço do paraguaio é demasiado alta para o seu corrente valor de mercado. Por isso, reabilitar o nosso artilheiro deve ser prioridade.
O facto é que Cardozo não esteve na última época ao melhor nível e este ano não tem sabido avivar o seu namoro com as redes adversárias. É verdade que no ano transacto contraiu uma lesão longa que pode ter prejudicado os seus números e que os adeptos do Benfica quase sempre tiveram pouca paciência com ele, talvez por acharem acessíveis os Drogbas e os Rooneys.
Mas tudo isto pouco ajuda a explicar o problema se não tivermos presente que a equipa de 2010/11 era substancialmente diferente da de 2009/10, ou que a equipa para 2011/12 não está montada a pensar em Cardozo.
Óscar nunca mais teve um extremo que o servisse como Di María, tanto Gaitán e Salvio como agora Enzo e Nolito privilegiam os movimentos interiores que não favorecem da melhor forma as características de um ponta-de-lança fixo como Cardozo. Por isso, sai muito mais do que devia da sua área de acção, sendo raras as vezes em que tem a bola a jeito para aplicar o potente pé esquerdo.
Do que precisa Cardozo para mostrar a veia goleadora? Compreensão. Dos adeptos e da equipa.
Abraço

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Golito dá passagem


Trabzonspor Külübu Resmi 1-1 SLB
Um golo de Nolito bastou para segurar a vantagem amealhada há uma semana e passar à última eliminatória de acesso à Champions. No quente ambiente turco, jogámos o quanto baste para controlar os acontecimentos. O que mais me agradou foi sem dúvida a forma como a equipa praticou a pressão alta e a defesa, nomeadamente a dupla de centrais, mostrou entrosamento.
Alertados por JJ para a falsa sensação de conforto com que partiam para a Turquia, os nossos entraram em campo com vontade de sentenciar de vez as contas. Nolito voltou a dar nas vistas, sobretudo no primeiro tempo e, apesar de ser cedo para avaliar da sua qualidade, mostrou frieza na hora de definir. Saviola assistiu para golo o espanhol e eis que as esperanças da formação turca praticamente sucumbiram ao minuto 20'.
O Trabzonspor aplicava a mesma receita da Luz, passes longos em busca da velocidade de Burak, mas raramente assustou Artur, que presenciou uma exibição desafogada dos seus companheiros neste período, com muita posse de bola, mas também muita inconsequência.
Mas nem tudo foram bons apontamentos na primeira parte. Muito castigadores no nosso lado direito, o adversário explorou bem a falta de apoio que Máxi teve por parte de Gaitán ao lançar um contra-ataque que daria no golo da igualdade.
As equipas partiam para o intervalo com a eliminatória quase decidida, e um recomeço de jogo pouco intenso deixava adivinhar que o Trabzonspor não teria argumentos para inverter o rumo dos acontecimentos. O Benfica ia trocando a bola sem grande ânsia, e desperdiçava ocasiões de golo de forma algo displicente.
Sentiu-se, e muito, a falta de um ponta-de-lança que desse expressão ao caudal ofensivo, mas nem quando a expulsão de um dos seus elementos deixou a equipa de Trabzon praticamente moribunda JJ se dignou pôr em campo Cardozo e investir para a jugular da vítima. Prenúncio do adeus do paraguaio?
O Benfica regressa assim a casa sem a vitória mas com a passagem no bolso, após disputar o primeiro jogo da sua história em que não alinhou qualquer português e após marcar o seu primeiro golo em solo turco.
Abraço

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O exemplo que vem de Máxi


Nos últimos tempos, Luisão tornou-se tema de qualquer conversa sobre o Benfica. Patrão da defesa nas últimas 8 épocas, Luisão assumiu uma importância que supera o seu rendimento em campo - que, honra lhe seja, tem sido elevado. Alvo de fortes críticas durante os seus primeiros passos de Águia ao peito, Luisão soube construir o seu espaço e garantiu mesmo a braçadeira de capitão, que nas últimas épocas envergou no campo embora Nuno Gomes fosse oficialmente o seu titular.

Ora, acontece que os jogadores mais antigos que ainda restavam no plantel saíram todos neste defeso (Moreira para Inglaterra, Gomes para Braga, Mantorras terminou carreira). Só um jogador sobrevive no Benfica desde a época 2003/04, e esse jogador é Luisão. Mas acontece também que, tal como todos os anos havia a novela sobre a vinda de Rui Costa, qual D. Sebastião, foi-se criando outra novela nas pré-épocas do Benfica: a birra de Luisão para sair.

Chamo-lhe birra porque Luisão não tem objectivamente razão para sair. Sempre foi acarinhado no Benfica, renovou há um ano com melhoria de ordenado, preparava-se para assumir em pleno o papel de capitão, gozou mais um semana de férias do que é suposto, em nenhum outro Clube Luisão será tão valorizado no Benfica. Mas Luisão esqueceu-se disso, referiu-se à época desgastante do ano passado "em que perdemos muita coisa" como se nenhuma responsabilidade lhe coubesse, passou por cima da sua vontade expressa no contrato e do recato que se impunha a escassos dias de um jogo decisivo.

Não acredito em más influências do empresário, embora exemplos recentes de jogadores que forçaram e conseguiram a desvinculação ao Benfica possa ter precipitado as declarações. O que é certo é que Luisão não é um miúdo, tem responsabilidades acrescidas no Benfica e tomou a opção de pôr tudo em causa, de trocar o certo pelo incerto.

Tudo o que pagarem pelo jogador, caso se concretize o desfecho anunciado, será pouco para compensar o Benfica do prejuízo desportivo numa época em que precisa de jogadores com maturidade e conhecimento da casa e em que remodela pelo menos 3 dos 5 lugares da defesa. Nem que se acerte em cheio no seu substituto o Benfica sairá incólume da deserção de Luisão.

Mas olhemos para os bons exemplos. Para o exemplo de quem disputa - e vence - os 90 minutos de uma final memorável da Copa América no domingo, sabe do nascimento de dois filhos gémeos durante a competição e na quarta-feira está em Lisboa a disputar a pré-eliminatória da Champions com o Benfica. Alguém que mal teve tempo para se refazer dos festejos e ver pela primeira vez os seus rebentos, mas que nem os problemas com as ligações aéreas e as 12 horas de caminho afastam do cumprimento dos seus deveres profissionais.

O Benfica precisa de mais jogadores como SuperMáxi.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Dois passos na direcção certa


SLB 2-o Trabzonspor Kulübü Resmi
O quente anoitecer da Luz assistiu ao regresso do Benfica aos jogos oficiais, agora na época 2011/12. E foi com uma vitória consistente que os nossos jogadores brindaram os seus apoiantes, apesar de haver ainda muitas arestas para limar. Um resultado que nos permite alguma margem de erro na deslocação à Turquia.
Sem deixar os créditos por mãos alheias, a equipa começou o jogo em cima do adversário, com os "velhos" Cardozo, Aimar, Saviola e Gaitán a assumirem as despesas do jogo, embora quase sempre sem consequência. Tudo parecia um déjà vu da época passada, o esquema táctico, os jogadores (com excepção de Pérez, Emerson e Artur), até a forma como a nossa defesa era facilmente dobrada em contra-ataques rápidos.
Ainda sem entrosamento, com Rúben Amorim a remendar um lugar que não é o dele, não seriam de esperar grandes feitos da defesa, e Emerson, por um lado, e os foras-de-jogo assinalados ao ataque turco, por outros, foram disfarçando as dificuldades perante o surgimento de passes rápidos para as costas dos centrais.
O futebol rendilhado e agradável mas ineficaz dos primeiros 20 minutos foi murchando e o Trabzonspor afoitou-se por algo mais. Não esteve longe de o conseguir mas impõe-se dizer que o nulo registado ao intervalo era mais penalizador para o nosso lado.
A etapa complementar trouxe o avolumar da ameaça turca. O Benfica perdera o controlo do jogo e JJ resolveu substituir Pérez, ressentido de problemas físicos, por Nolito, e Amorim pelo campeão da Copa América, Máxi Pereira. O atrevimento adversário não tardou a ser castigado: primeiro foi Saviola a dar o aviso atirando ao poste, depois um passe de mágico colocou o reforço NOLITO em condições para alvejar a baliza. O fantasma do nulo foi enfim desfeito, à entrada para o último quarto de hora.
A Águia acordou de vez, mas não se livrou de novos sustos na sua baliza. Artur e alguma sorte à mistura mantiveram imaculadas as nossas redes, mas o resultado ainda não estava fechado. Axel Witsel deu curto para GAITÁN assinar o momento da noite e fazer a bola entrar redondinha na gaveta da baliza contrária.
Resultado justo, mas, mais importante do que isso, colocamos um pé na última eliminatória da Champions. Agora, resta-nos limar algumas arestas e integrar os reforços, que estão em fase de preparação muito diferentes. Nota-se sobretudo a falta de um lateral direito que permita resguardar o Máxi (e Rúben não é lateral), e nota-se que a saída de Luisão será dramática para um sector defensivo em reconstrução. Embora Artur e Emerson já dêem boa conta de si, é sobretudo essa reconstrução que deverá ocupar a equipa técnica nos próximos dias.
Abraço

terça-feira, 12 de julho de 2011

Que grande confusão...

Se a definição do esquema de jogo de JJ é ainda incipiente (nem outra coisa seria de esperar dada a fase da época), a composição do plantel por parte dos nossos responsáveis tem-me deixado um pouco desconcertado e com alguma expectativa para perceber qual o encadeamento lógico das opções tomadas.

A surpresa começa com a defesa. Inúmeros factores me levavam a esperar que a grande prioridade dos nossos responsáveis recairia no reforço deste sector. Desde logo, a alarmante sequência de jogos em que sofremos golos a época passada, após a saída de David Luiz; depois, a ausência de dois titulares (Máxi e Luisão) envolvidos na Copa América; por fim, a transferência do Coentrão para Espanha, que embora nos tenha valido Garay (também na Copa América) nos deixou claramente deficitários na posição de lateral esquerdo.
Ora, a 15 dias da eliminatória da Champions, não temos nem lateral esquerdo, nem lateral direito (Wass é ainda incógnita), nem centrais que ofereçam segurança (excepção feita talvez a Miguel Vítor). Quando ouço falar da adaptação de Javi Garcia a central, se calhar nem era má ideia como plano de contingência, comporta é alguns riscos graves: ficamos privados do nosso melhor médio defensivo (se calhar, do nosso único médio verdadeiramente defensivo), e o meio campo sem o seu bombeiro de serviço.

Quanto ao meio campo, abundam as soluções ofensivas, o que contrasta com a míngua de jogadores que garantam um equilíbrio tantas vezes inexistente a época transacta. Mais do que as patetices de Roberto, o que comprometeu as nossas aspirações foi o enorme fosso no meio campo entre os três jogadores mais adiantados e Javi Garcia, demasiado sozinho para acudir às perdas de bola dos colegas e que amiúde se viu confrontado com supremacia numérica do adversário. Este problema estrutural do nosso jogo não desapareceu, nem há indícios de que venha a desaparecer.
Além disso, fica a ideia de que as características dos jogadores para as alas são muito idênticas: jogadores de vocação ofensiva, aparentemente quase todos de boa qualidade técnica mas pouco disponíveis para correr atrás da bola. Quem esperava uma inflexão táctica de JJ para um ano em que está tudo em jogo, provavelmente vai desiludir-se.

Quanto ao ataque, livrámo-nos de alguns pesos mortos do Benfica do ano passado, mas parece-me que continuamos reféns da dupla de Saviola e Cardozo. O que limita a margem de JJ para enveredar por outros esquemas tácticos. Basicamente não vejo grandes alternativas aos dois dianteiros, por pior que seja o rendimento de Saviola. Jara é demasiado individualista apesar de voluntarioso e Rodrigo não parece ainda ameaçar tirar alguém do onze.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Atletismo: campeões absolutos em sub-23

«O atletismo do Sport Lisboa e Benfica voltou a fazer história esta época. As equipas de sub-23 masculina e feminina sagraram-se, este domingo, Campeãs Nacionais. As provas decorreram ao longo de dois dias na pista gémeos Castro, em Guimarães.
Depois de excelentes resultados obtidos no primeiro dia de competição, os atletas "encarnados" voltaram a conquistar títulos. Pedro Capela (lançamento do martelo), Miguel Moreira (800 metros), Eva Vital (100 metros barreiras), Ugundi Quiawacana (200 metros), Bruno Andrade, Fábio Gonçalves, Miguel Moreira e José Miranda (4x400 metros), e Nádia Gaspar, Cátia Leitão, Filipa Martins e Dorothé Évora (4x400 metros) derrotaram a restante concorrência.
No final da prova, o Benfica venceu no sector masculino com 150 pontos, seguindo-se o Sporting (79,50) e a Juventude Vidigalense (61). No sector feminino, as benfiquistas terminaram com 136,50 pontos, à frente de Sporting (102) e Sporting de Braga (62)».

Fonte: slbenfica.pt
Abraço

Ainda há esperança?

Confesso que esta pré-época tem excedido as minhas piores expectativas. Já assisti a pré-épocas muito más no Benfica, ainda piores do que esta, mas esta está ao nível do que pior vi.
Digo-o ainda antes de a nossa equipa ter realizado qualquer jogo, oficial ou oficioso, mas são já demasiado óbvios os sinais da monstruosidade que está a ser feita, e que mais uma vez nos vai cortar as asas.

Desde logo, a importância psicológica, goste-se ou não, de partirmos para a época sem NENHUM português no onze de base. Nem um único para amostra. Isto representa uma inversão completa dos valores Benfiquistas, e recorde-se que fomos o último Clube português a admitir estrangeiros no plantel. Não quero um Benfica à imagem e semelhança do Arsenal, uma Babel sem identidade, uma equipa simpática que fica todos os anos arredada do título.

Depois, o número obsceno de jogadores contratados. Wass, Nolito, Mora, Melgarejo, Nuno Coelho, Matic, André Almeida, Léo Kanu e outros que agora não me lembro, todos juntos eram capazes de fazer um jogador de jeito. A estes junte-se Shaffer, Yebda, Rodrigo, Fábio Faria, Urreta, Oblak, etc., que regressam de empréstimo, e Carole, Jardel e Fernández, os flops de Janeiro.

Destes todos acredito que um, no máximo dois, possam integrar o plantel de uma equipa grande. O plantel do Benfica é hoje uma massa balofa, disforme, sem ponta por onde se lhe pegue. As contratações vêm ao sabor do vento, sem que se descortine um fio condutor, um critério.

Chegamos a ter dez jogadores para duas posições, mas não temos um centrais dignos desse nome para a pré-eliminatória da Champions (e Luisão estará ausente), lateral esquerdo e lateral direito (Máxi também estará ausente.

Agora vem a venda do Coentrão, anunciada como um grande rasgo do presidente, mas que evidentemente terá como contrapartida a aquisição de Garay por 10 milhões, um jogador bastante caro (para cima de dois milhões/ano de ordenado) e acomodado em Madrid ao estatuto de quinto central. Vale por dizer que deixamos sair o nosso mais cotado jogador por menos de 20 milhões, pois há que contar com o famigerado fundo de investimento, que detinha 20% do passe.

Estes negócios em Madrid deixam-me louco. Cingindo-me ao Real, vendemos Di Maria por 25 milhões mas devolvemos 6 milhões em troca de Rodrigo e Alípio que nem foram para o nosso plantel; agora vamos mais longe: negociamos Coentrão por 30 milhões mas devolvemos 10 milhões em troca de mais um excedentário deles. Realmente, em Madrid todos gostam de nós...

Há dias escrevi que o Benfica não era um clube normal. Hoje parece-me cada vez mais que pura e simplesmente não é um clube de futebol. É uma instituição posta ao serviço de interesses, que não o de brindar os seus sócios e apoiantes com conquistas no futebol. Desculpem se estou a ser demasiado duro, demasiado apressado. Mas não gosto nada do que se está a passar.
Abraço

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A minha camisola

Esta é a camisola mais bonita do Benfica em muitos anos. Pelo menos, desde que alguém teve a triste ideia de inserir a publicidade frontal das camisolas em feios "adesivos" que, se num equipamento às riscas ainda disfarça, na nossa camisola deslustrava o seu brilho natural. Agradeço, por isso, o esforço da direcção do Benfica para que o patrocinador adaptasse a publicidade à camisola, e não fosse o Benfica a adaptar a camisola à publicidade.
A direcção teve, sem dúvida, um papel importante na sensibilização do patrocinador, mas muito do que se conseguiu deve-se à mobilização de muitos Benfiquistas que por várias formas lutaram para dar uma imagem mais genuína à camisola do Benfica. A eles também o meu obrigado.
Não tão apelativa como a camisola principal é a alternativa deste ano. Muito se discute na blogosfera Benfiquista sobre se o branco seria a cor ideal para este equipamento. Pessoalmente, preferia o branco, o preto, o cinzento ou o "bordeaux". Este ano optou-se pelo dourado, em homenagem aos heróis de Amesterdão. Não me choca. Já vi camisolas alternativas piores (quem não se lembra das do Vale...), embora o formato me faça lembrar uma camisola de guarda-redes.
Enfim, com aquele emblema, até pano velho é deslumbrante.
Abraço

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Benfica aos Benfiquistas

No Benfica, os Benfiquistas são cada vez mais raros. Parece um contra-senso mas é a verdade mais pura. Vieira parece ter o dom de rodear-se de não Benfiquistas, por vezes até anti-Benfiquistas primários, e dar-lhes guarida no nosso Clube. O presidente da SAD do Benfica e administrador da área financeira não é Benfiquista, o chefe do departamento jurídico não é Benfiquista, o novo director do futebol do Benfica não é Benfiquista.
Qual é a mensagem de Carraça ao dispensar um funcionário com 30 anos de casa, escassos dias após iniciar funções? É relegar os Benfiquistas que trabalham no Benfica para peça do museu que será criado na Luz? É desfigurando-o que se torna o Benfica mais forte?
Por estas e por outras não me espantam minimamente as denúncias de traição ao nível da cúpula dirigente do Benfica, reuniões da SAD que passado pouco tempo já chegaram ao conhecimento dos adversários, vários jogadores desviados, etc..
Enquanto os nossos rivais se reforçam de forma eficiente, revelada na comunicação social no máximo um ou dois dias antes da aquisição, o Benfica continua a brincar ao mercado. Os seus alvos são publicados nos jornais quinze dias antes de o Benfica sequer fazer qualquer proposta, as negociações arrastam-se até à náusea, os jogadores acotovelam-se no Seixal para correr sem se atropelarem uns aos outros.
Guarda-redes, médios e atacantes são sem exagero uns 40, centrais e lateral esquerdo para substituir Coentrão nem vê-los a 3 semanas da pré-eliminatória da Champions. Quanto a este, mantém-se interminável o impasse à volta da negociação, com prejuízos evidentes para nós e para o jogador.
Enquanto construímos a casa pelo telhado, a irritante teima em sobrecarregar a equipa com jogos de preparação, como se a nossa equipa fosse um músico em digressão. São pelo menos 7 (!) entre amistosos, jogos de apresentação, torneios particulares. Com a particularidade de um deles estar encavalitado em eliminatórias europeias, o que atesta bem que a incompetente planificação da época passada não foi caso isolado.
JJ que se cuide. A margem de manobra não vai ser grande.
Abraço

domingo, 26 de junho de 2011

Atletas do Benfica campeões nacionais



O Benfica sagrou-se, 15 anos depois, campeão nacional de atletismo no sector masculino. É, esperemos, o fim de uma longa travessia no deserto e um justo prémio para a aposta que vem sendo realizada há já alguns anos na modalidade.


Obrigado aos atletas do Benfica, que conseguiram um feito que, há dois ou três anos, seria considerado impensável, mas que com trabalho, dedicação e qualidade dos nossos profissionais foi possível. Este é também o fruto do crescimento de muitos jovens atletas, que já nos haviam dado títulos no escalão de sub-23.


Infelizmente nem tudo foram boas notícias, e a festa dos nossos rapazes não se estendeu às nossas meninas, que não foram além do segundo lugar. Espero que no próximo estejamos mais fortes também no sector feminino.


Esta alegria que sinto não me faz esquecer, porém, o cenário desolador nas nossas modalidades. Não é normal um Clube que como nós investe forte e coloca a exigência no topo não ser campeão em qualquer das 5 principais modalidades de pavilhão. Se não forem tiradas consequências quanto aos responsáveis por este vergonhoso fracasso das modalidades, então não prevejo dias risonhos no futuro.


Abraço

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Gostava tanto de estar optimista para a próxima época

Longe da expectativa e da ânsia de outrora, as contratações do Glorioso (e este ano são já invulgarmente muitas, mesmo tendo em conta o histórico dos últimos anos) têm-me deixado algo confuso e, até, desconcertado.

Quando vejo que estarão garantidos Artur Moraes, Bruno César, Nolito, Wass, Léo Kanu, André Almeida, Tiago Terroso, Nuno Coelho, Matic, Mora e Melgarejo, além da estupefacção de saber que perfazem uma equipa completa (11 jogadores), à partida só auspicio uma luta imediata pela titularidade imediata aos 3 primeiros. E convém lembrar que a nossa equipa B só será recuperada para o ano, na melhor das hipóteses, e teoricamente se destina a facilitar a integração dos atletas oriundos da formação no futebol sénior.

A estes há que juntar a quase totalidade do plantel que transita da última temporada (excepções confirmadas Salvio, Nuno Gomes, Coentrão, Luis Filipe, Sidnei e Airton), e ainda Urreta e Rodrigo, que provavelmente regressam após empréstimo.

Sinceramente não vejo aumento de qualidade. Pelo contrário, não trocava Coentrão ou Salvio por qualquer deles. Resta ter esperança no valor das apostas. Mas com direito a indignação por, quando tanto se fala em aliviar o nosso Clube do peso dos excedentários, nos candidatamos a ter ainda mais na próxima época.

O "aquecimento" do Benfica para a época que vem pode não ser rodeado de tanta excitação como noutros anos, mas não perdeu as tradicionais peripécias. Enzo estava garantido ou talvez não, jogadores que partem a loiça nas entrevistas a jornais, reforços a desvalorizarem o salto na carreira para depois se retractarem, jogadores respeitados dispensados de forma pouco curial.

Como se não bastasse, mantém-se a malfadada tendência para acumular jogadores de ataque e descurar que em vez disso precisávamos essencialmente de um central veloz e competente que complementasse com Luisão, um lateral esquerdo que remedie a falta de Coentrão, um lateral direito que faça concorrência a Máxi e um médio ala direito que auxilie o Javi nas transições defensivas.

Nenhum destes foi ainda contratado, apesar de tantas caras novas. E corremos o sério risco de ter uma defesa bem permeável nas eliminatórias da Champions (Luisão e Máxi na Copa América). Ninguém se apercebeu disso?

Termino com um apelo à direcção do Benfica. No meio de tanta azáfama, continuam a adiar o reforço que mais espero este defeso: a renovação com Máxi Pereira.
Abraço

domingo, 12 de junho de 2011

Se o Benfica fosse um clube normal...

Se o Benfica fosse um Clube normal, orientado para a vertente desportiva, não teria neste momento mais de 40 jogadores (10 deles reforços) em Junho para compor o plantel. Mas isto sou eu a dizer...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A saída de uma grande referência



O Benfica anunciou hoje na sua página da Internet o fim da sua ligação com Henrique Vieira, que durante os últimos 5 anos orientou a nossa equipa de basquetebol.

Henrique Vieira não é um profissional qualquer. Basquetebolista campeão pelo Benfica, a ele cabe grande parte do mérito do nosso recente regresso aos títulos após longo jejum nesta modalidade tão querida dos adeptos do Benfica.

O Benfica inicia um novo ciclo, mas encerra outro que não pode deixar de ser visto como virtuoso. Não devemos esquecer quem nos fez felizes, por isso, obrigado, Henrique Vieira.

Abraço

Onde é que eu já vi este filme...

Jogadores a chegar aos camiões à Luz (já se fala em 10 contratações e ainda só vamos em meados de Junho), saídas de jogadores importantes com espalhafato e polémica na praça pública, "referências" despachadas pela porta do cavalo, toda esta agitação no Benfica é um maná para os jornais, que prosperam à custa de tanta trapalhada.

Ponto prévio: não vou na onda, que muitos pretendem cavalgar, de que o Benfica é o culpado por o Fábio Coentrão fazer birra e pretender ir para o Real Madrid custe o que custar, oferecendo-se todos os dias num espectáculo mediático pouco dignificante para o próprio e para o Clube que representa. Também não culpo o Benfica por pretender cessar a ligação a Nuno Gomes, que aliás não se pode queixar de falta de apoio do Benfica. O Benfica não é o culpado disto, aliás, ele é o primeiro prejudicado.

No caso do Coentrão, não culpo o Benfica de absolutamente nada. O próprio jogador, que deve estar muito mal aconselhado, é que devia reflectir nas atitudes contraditórias e tristes que tem tomado. Primeiro, só saía mediante uma proposta que satisfizesse os interesses dele e do Benfica (já nem falo de quando se afirmou disposto a rubricar contrato vitalício com o Benfica, porque isso não passou de espuma dos dias...). Depois veio o estágio da selecção, veio o Ronaldo, veio o Ás, a Marca, etc.
E Coentrão mudou. O Benfica já não interessava para nada. O contrato que de livre vontade celebrara, recentemente prorrogado com revisão salarial, era letra morta. Saía nem que fosse a custo zero, e o Benfica devia era estar eternamente grato, como se ele nada devesse também ao Clube que o deu a conhecer ao mundo.
Disto o Benfica não tem culpa. E não me venha o Evangelista moralista com a treta de que o processo disciplinar é uma injustiça porque ele "levou o Clube às costas". Ele é um empregado do Benfica. Até o Eusébio, que é o senhor Eusébio, se sujeita a processos disciplinares se um dia voltar a trabalhar no Benfica e lhe faltar ao respeito.

O caso do Nuno Gomes já é um bocado diferente. E é diferente porque LFV quer transformar o Benfica numa Santa Casa da Misericórdia de quem não precisa, como fez no caso Mantorras. Se é verdade que o capitão do Benfica partiu para férias sem saber se o seu futuro passava ou não pelo seu Clube, estamos perante um caso grave e vergonhoso para a direcção. E se é verdade que, como consolação, foi aliciado com um cargo directivo no Benfica, por outras palavras, um tacho, ainda mais grave se torna.
Critico a forma como este dossiê terá sido gerido. Mas concordo plenamente com a não renovação. Há muito se sabe que, mal ou bem, JJ já não conta - alguma vez contou? - com o capitão. A própria produção desportiva do avançado nos últimos anos tem ficado muito aquém das expectativas.
Pessoalmente, gostava de o ver despedir-se num jogo de homenagem, com a ovação merecida. Agora, não me venha o Quim, que não perde uma oportunidade para cuspir no prato onde comeu, dizer que o Nuno Gomes foi mal tratado no Benfica, porque disso acho que estamos conversados. O Nuno Gomes deve ser o jogador mais acarinhado no Benfica.

Por fim, muito de passagem, as transferências. Causa-me muita confusão como é possível que, ainda sem praticamente nenhuma saída confirmada, os jornais já dêem como certas cerca de dez contratações. Incompreensível aos meus olhos de leigo, mas um filme muitas vezes visto nestes últimos dez anos. Surgiu há dias uma notícia que diz tudo sobre a forma como o Benfica tem sido gerido. O Benfica estará a ponderar vender Miguel Vítor. Um Clube que compra Sidneis por 7 milhões desfaz-se alegremente de um dos melhores centrais saídos da formação nos últimos largos anos. Dá lugar aos Kanus vindos da 4ª divisão brasileira...
Abraço

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Olhe-se para a formação do Benfica

Ainda pior do que perceber que não haverá qualquer português no onze titular para atacar o título na próxima época é olhar para o ostracismo a que são votadas as nossas equipas de futebol jovem. Não serão muitos os Benfiquistas que sabem o nome de mais de cinco jogadores da formação do Benfica, quando muito saberão que fomos campeões este ano em juvenis.
No Benfica, como na quase totalidade dos clubes portugueses (se não mesmo na totalidade) prefere-se comprar pronto-a-vestir. E os resultados estão à vista.

Ao contrário do que julga LFV, que ainda há pouco tempo apregoava termos ganho bastantes títulos na formação (não sei se contabilizou também os torneios particulares), os títulos do Benfica na formação não têm tido a cadência desejável, somando nós nos últimos 3 anos 2 títulos nacionais de iniciados (2008/09 e 2009/10) e 1 de juvenis A (2010/11).

Todo e qualquer jovem que transite das camadas jovens para a equipa principal, num Clube com a exigência do Benfica, ou é um sobredotado, ou está condenado a uma participação bem discreta, como aconteceu nos últimos anos com Miguel Vítor e, actualmente, Roderick Miranda. Ainda vemos o jogador da formação como um gajo que faz número mas permite satisfazer os requisitos da UEFA.

Mas isto não invalida que um jogador da formação, depois de amadurecer em outros ambientes, não possa ou deva integrar o plantel do Benfica, se tiver suficiente qualidade. Assim como não invalida o interesse em assistir a prestações pelo menos honrosas das nossas equipas de formação nos respectivos campeonatos.

Olhemos então, em primeiro lugar, para a equipa de iniciados, que esta época perdeu o ceptro de bicampeã nacional. Enquanto no ano anterior os nossos iniciados protagonizaram um verdadeiro passeio no campeonato, perdendo unicamente um jogo ainda na 1ª fase, sofrendo apenas um tento na fase final, ganhando todos os jogos desta fase, o tombo não poderia ter sido mais estrondoso.
A nossa participação na edição deste ano demasiado decepcionante: 4º lugar, o último da fase final. Não sei até que ponto terá sido má orientação técnica, até porque o treinador é exactamente o mesmo que ganhou de forma imaculada o título o ano passado. Menos ainda acredito na falta de qualidade dos jogadores. Por alguma razão uma equipa que até ao terceiro jogo da fase final não conhecia o sabor da derrota se desmoronou como um baralho de cartas, mas não é da minha ciência.

Quanto aos juvenis, pode-se dizer que fizemos o pleno, ao conquistar tanto o título de juvenis A como o de juvenis B. Enquanto esta última conseguiu fazer regressar o campeonato à Luz 25 anos depois, aquela teve um percurso absolutamente categórico, apenas com uma derrota no percurso. O que não surpreeende, tendo em conta que esta geração se sagrara campeã de iniciados no ano transacto. Parabéns a Bruno Lage e seus pupilos.

A mancha da formação do Benfica chama-se, lamentavelmente, equipa de júniores. E digo-o porque nos júniores a incompetência tem sido mais do que gritante, verdadeiramente monstruosa. No fundo, um reflexo da nossa admirável estrutura do futebol. Bastaria começar por referir que nos últimos 22 anos conquistámos 2 campeonatos (1999/2000 e 2003/04), o que aliás nem deve muito ao nosso palmarés no mesmo período em seniores. Mas já que de incompetência chapada falamos, o que dizer de uma equipa que em 14 jogos obtém 6 derrotas e 2 empates, quedando-se no 4º lugar, um pontinho à frente do 5º? É certo que a inclusão no plantel de candidatos estrangeiros por atacado, entre eles candidatos a craque provenientes do Real Madrid como quem varre lixo para debaixo do tapete não ajudou. Mas pior, mesmo com uma equipa fraquíssima, era impossível. Curiosamente, acabei de saber que Paulo Teles, somente um dos melhores do plantel (português. pois...), foi dispensado.

Leo Kanu, Fernandez, Elvis. A lista de nomes contratados nos últimos meses que terão uma passagem bem fugaz pela nossa equipa podia continuar. Mesmo esses, provenientes sabe-se lá de que fonte, alcançarão bem mais do que a quase totalidade dos nossos formandos, muitos deles destinados a serem aproveitados e valorizados noutras paragens.
Embora seja iniludível que há gente altamente competente dedicada às camadas jovens (aliás, desde 1992/93 que não ganhávamos títulos na formação em quatro anos consecutivos) o panorama geral é de um amadorismo que denuncia o real estatuto que a direcção do Benfica dá à formação, apesar das palavras em contrário que todos os anos ouvimos.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Humildade

A descoberta do ano. Afinal, a grande chave para a recuperação do Benfica está na humildade. Aquela que ao longo dos últimos oito anos foi sendo substituída por um discurso megalómano, balofo, delirante mesmo em alguns casos. É caso para dizer bem prega frei Tomás...

Bem sei que um ano de sucessivas e dolorosas frustrações não cria o pano de fundo para grandes bravatas, mas é elucidativo ser a humildade tudo aquilo que o presidente do Benfica tem a apresentar como alteração para futuro. Não é difícil pedir humildade a quem viu escoar-se pelos dedos da mão todos os argumentos de superioridade desportiva que nos restavam. Não é difícil alardear a humildade. Difícil é praticá-la para quem até aqui nos habituou a juras falsas e vazias.

Humildade é uma palavra bonita, mas não chega para um Clube ser o melhor. Tem de aliá-la a muito trabalho e a uma estrutura que reme toda para o mesmo lado. E isso é que me parece não existir no Benfica. Esta vida de cigarra, de andar a viajar pelo país a inaugurar casas com pompa e de deixar o Clube para viagens de negócio ao estrangeiro tem sido desastrosa para o Benfica. Se em oito anos de estabilidade financeira e sangria desportiva não foi possível desenvolver esse trabalho, não tenho grandes veleidades quanto ao futuro.

Por fim, e esta parte não me custa menos, a crise desportiva foi este ano acompanhada por uma crise moral. Porque se tomaram atitudes que não estava habituado a ver no Benfica, de guerrilha e de radicalismo sem sentido. De combater a forma como somos recebidos em certo estádio a responder na mesma moeda vai uma larga distância, e a nossa direcção esteve longe de ser exemplar ao tomar atitudes que tiveram como efeito desprestigiar e isolar o Benfica.

A propósito, agora noto que alguns dos que se insurgem contra a divisão do país em norte e sul, instigada com ódio por um sujeito há décadas, afinal se aproveitam dela em benefício próprio. Não gostei de ver o presidente do meu Clube invocar um sentimento regionalista, como se o Benfica fosse um Clube circunscrito a uma região e tivesse um tratamento diferente de outro clube, porque está em região diferente.
Sou do norte, e sei que infelizmente o Benfica tem perdido muitos adeptos cá nos últimos anos. Se calhar, em vez de se acantonarem, não faria mal um exame de consciênca aos dirigentes do Benfica.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Focar os objectivos

O objectivo n.º 1 do Benfica para a próxima época é só um: a reconquista do título que perdemos este ano. Tudo o que for pensado a partir do final desta temporada deve ser avaliado à luz deste objectivo: não nos podemos dar ao luxo de comprar júniores do Real Madrid ou guarda-redes com 6 meses de experiência a alto nível.
Não precisamos de uma revolução no onze, porque grande parte dos que o formam foram campeões há um ano e não desaprenderam, simplesmente as suas debilidades físicas foram expostas por um plantel menos homogéneo do que o do passado. Não podemos cometer os mesmos erros. JJ saberá melhor do que ninguém com quem pode contar para a próxima época, mas é no perfil do jogador contratado que temos de acertar a agulha.
Roberto, Fábio Faria, Jara, Rodrigo Moreno, Gaitán e Salvio têm um traço em comum: na sua maioria, foram caros para o seu rendimento efectivo e não colmataram as saídas de jogadores importantes.
Este defeso, não precisamos de gastar dinheiro em jogadores que só vão explodir daqui a dois ou três anos, precisamos de jogadores maduros que não ofereçam dúvidas da sua valia, ou porque têm características de futebol europeu no caso de serem sul americanos, ou porque já evoluem no futebol português.
O futebol português é estratégico para o Benfica, porque como nenhum outro permite maximizar investimento (o mercado sul americano está cada vez mais especulativo) e porque, essencialmente, não coloca o problema da adaptação, que tantas vezes deita por terra observações feitas noutras latitudes.
Do mercado nacional já vieram grandes achados, como também já vieram grandes fiascos, e não acho que uma grande equipa possa alimentar-se só do mercado interno, mas um dos grandes problemas do Benfica é pensar que a solução para os problemas tem de aterrar na Portela numa quente manhã de Agosto, quando muitas vezes estava debaixo dos nossos narizes. Haja coragem para apostar no que há de bom em Portugal.
Abraço

domingo, 15 de maio de 2011

Ser implacável com quem falhou

Já se sabe que a direcção ou a equipa técnica não vão pagar pelos erros cometidos. Esta última terá, inevitavelmente, uma margem de tolerância ínfima em relação àquela de que desfrutava há cerca de um ano, e veremos se aguentará as ondas de choque de mais um começo de época desastrado, se tal se verificar.
Interessa, por isso, saber o que será da pasta das contratações e dispensas para a próxima época. Pelo que se sabe de quem dirige o Clube, não surpreenderá que rume à Luz uma boa mão cheia de jogadores, alguns dos quais até já estarão assegurados. Mas o que fazer aos actuais activos?
É um dado consabido que faltou muito banco esta temporada. São demasiados os pesos mortos que se limitam a fazer número e poucas ou nenhumas as alternativas válidas. Vejamos posição a posição.

Guarda-redes: esta foi a primeira posição a acusar deficiências graves, que se agudizaram ao longo da época. Roberto foi mais um flop monumental a que já nos habituámos (talvez um pouco mais estrondoso do que é habitual), Júlio César está estagnado a aquecer o banco e Moreira só está no Clube porque é um rapaz simpático, os sócios gostam dele e dá jeito (é português formado no Clube).
Nenhum dos três dá qualquer garantia de segurança. Neste posto específico, precisamos de algum jogador que venha agarrar o lugar de forma clara e não ofereça dúvidas da sua qualidade. O que não será para qualquer um, com a pressão a que será sujeito. A herança não é famosa e os jornais vão aproveitar qualquer falha para lhe fazer a folha, por isso é bom que tenha maturidade e estabilidade psicológica.

Defesa esquerdo: a continuidade de Coentrão é utópica, por isso, convém que seja encontrada uma solução com créditos firmados, o que não é fácil, pois é uma posição onde rareiam os bons valores. Carole pode vir a ser um bom suplente, mas só isso.

Defesa central: Jardel não é mau central, mas está visto que não emparelha bem com o Luisão. Sidnei não merece mais uma oportunidade, pelo que deve rumar a outras paragens. Não sei como está Miguel Vítor depois do empréstimo, mas o certo é que a saída de David Luiz não foi acautelada.

Defesa direito: Máxi é garantia de rendimento constante, mas falta-lhe alternativa. Luís Filipe não deixa saudades, precisamos de alguém que concorra com o uruguaio, caso contrário ficaremos com as calças nas mãos quando ele sofra alguma vicissitude.

Centro campista: para mim é no meio campo que reside a fonte dos males do Benfica esta temporada. A chave de tantos golos sofridos, que deitaram por terra qualquer aspiração está na forma como a equipa não se recompõe após a perda da bola, a forma como o meio campo ficou muito mais vulnerável após o adeus a Ramires. Depois da venda do Queniano, ficou Javi Garcia para lutar pela bola, o que é muito pouco. Aimar deve continuar, mas a aquisição de Bruno César indicia que além de Felipe Menezes também Carlos Martins poderá estar de partida. Salvio dificilmente fará segunda época, mas o nome do seu substituto dependerá do sistema táctico escolhido pelo treinador. Certo é que quem tem Urreta emprestado deve ter grande fartura de extremos...

Avançado: não foi a posição que mais comprometeu, mas é a que mais deve ser alterada. Já não há pachorra para o Saviola, Kardec não exibiu credenciais, Nuno Gomes já não é mais valia desportiva, Weldon vai para a Roménia. Jara deve ter segunda oportunidade, e o seu talento só é prejudicado por um inaceitável individualismo. Tantas vezes abono de família, Cardozo está esgotado, e apesar dos seus números significativos seria bom para ambas as partes que o paraguaio desse outro rumo à sua carreira. É nítido que a sua cabeça já mora noutro sítio qualquer.
Abraço

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Perguntas ao xô presidente

Olha lá, se não estás agarrado à cadeira presidencial, será que o mísero pecúlio de 2 títulos em 8 anos de mandatos, 10 como responsável pelo futebol, não chega para te pores a andar? O que mais será preciso, descermos de divisão?

Se estás no Benfica em espírito de missão, por que razão a tua conta bancária nunca esteve tão gorda e aproveitas viagens em que supostamente estás a representar o clube para promover as tuas negociatas pessoais?

Por que é que todos à tua volta têm de ser os culpados pelos sucessivos desaires, quando és tu supostamente o máximo responsável como tanto gostas de lembrar nos raros momentos de vitória? Não és tu o denominador comum desta década de fiascos, de centenas de jogadores contratados, de inúmeros treinadores recrutados e despedidos ao sabor dos teus caprichos?

Se dizes que o Benfica sempre foi um Clube democrático, por que reivindicas ter devolvido o Benfica aos sócios? Antes não era dos sócios?

Tens assim uma obra tão grande, por que é que não se nota nas salas dos troféus? Afinal qual é o objectivo, é ter obra ou é ter títulos?

Dizes que o que fizeste em dez anos levaria 40 anos a fazer em condições normais. Parabéns. O teu clube do coração conquistou 7 títulos nestes 10 anos, mais do que em qualquer década anterior...

Se o modelo desportivo é ganhar por rotina, temos de dar tempo ao tempo!!??? Quanto tempo mais precisas? 200 anos?

Não preparámos a época convenientemente. Mas quem tinha a responsabilidade de assegurar o bom planeamento não era a tua direcção? Quem agendou um torneio particular 4 dias antes da final da Supertaça?

Em relação à formação, já conquistámos assim tantos títulos? Há quanto tempo não somos campeões de júniores? E por que não falas da prestação calamitosa dos nossos júniores esta temporada?

Vamos ter 3 ou 4 jogadores da formação na próxima época. Lembras-te do que disseste há 7 anos atrás? Prometeste levar todos os anos dois júniores para o plantel principal. Foi o que se viu...

As modalidades antes de ti não existiam, não é? Então é impressão minha ou somamos esta década cerca de metade dos títulos conquistados nos anos 90?

Quando chegaste éramos os "bobos da corte", os do "talvez". E agora, graças a ti, somos o quê?

A "marca Benfica" vale 250 milhões de euros. Temos então um passivo maior do que valemos...

Até quando vais desculpar-te com erros de gestões anteriores? Até 2050?
Abraço